Qual é o Sentido da Vida?

Qual é o Sentido da Vida?

Eu não sei vocês, mas de vez em quando eu fico meio que viajando nas minhas ideias. Tem hora que estou super feliz, mas depois acontece alguma coisa e eu fico meio triste… Tem hora que eu chego a me perguntar: Qual é o Sentido da minha Vida? 

Se você já se fez essa pergunta alguma vez, eu quero te convidar a refletir: Qual é o Sentido da Vida, na visão do livro de Eclesiastes.

Vem comigo!

Eclesiastes

Eclesiastes é um livro de sabedoria. É um texto escrito por Salomão com o propósito de ensinar. O livro é uma lição sobre a vida. Traz reflexões profundas e conselhos práticos que nos obrigam verdadeiramente a pensar na vida no sentido mais amplo.

Há várias propostas de abordagem ao livro de Eclesiastes. Ele apresenta a vida de uma forma muito realista. Ele traz questões como: Qual é o sentido da vida? De onde vem a verdadeira satisfação? Existe justiça no mundo? Como viver uma vida de valor? 

O pregador apresenta, sem rodeios, que a vida aparentemente não tendo propósito (1.4), existem circunstâncias além do controle humano (9.11). A morte, que vem para todos (9.2), independentemente de qualquer merecimento (7.15; 8.8). Na vida, o mal cresce (3.16; 4.1; 5.8; 9.3) e os ímpios prosperam (8.14). Em impressionante demonstração de humildade, Salomão, mesmo sendo um sábio, admite que, ele mesmo, não consegue entender por que as coisas são assim (8.17; 11.5).

O mais impressionante é que Eclesiastes não dá respostas fáceis, mas ensina lições de profunda reflexão.

O livro mostra que o autor não se dedicou à investigação da vida pelo simples prazer de estudar. Na verdade, o propósito desse sábio é ensinar às pessoas a respeito do sentido da vida e para tanto, “procurou o Pregador a palavras agradáveis, e escrever com retidão palavras de verdade.” (12.10).

Dentre tantos temas que ele apresenta no livro quero refletir com vocês sobre algumas Verdades sobre o sentido da vida no binômio da alegria/tristeza.

Texto: Eclesiastes 7.1-14

1 Uma boa reputação vale mais que perfume caro, e o dia da morte é melhor que o do nascimento.

2 É melhor ir a funerais que ir a festas; afinal, todos morrem, e é bom que os vivos se lembrem disso.

3 A tristeza é melhor que o riso, pois aperfeiçoa o coração.

4 O sábio pensa na morte com frequência, enquanto o tolo só pensa em se divertir.

5 É melhor ouvir a repreensão do sábio que o elogio do tolo.

6 O riso do tolo some depressa, como espinhos que estalam no fogo; isso também não faz sentido.

7 A extorsão transforma o sábio em tolo, e os subornos corrompem o coração.

8 Terminar algo é melhor que começar; a paciência é melhor que o orgulho.

9 Não se ire facilmente, pois a raiva é a marca dos tolos.

10 Não viva saudoso dos “bons e velhos tempos”; isso não é sábio.

11 A sabedoria é ainda melhor quando acompanhada do dinheiro; ambos são proveitosos debaixo do sol.

12 Tanto sabedoria como dinheiro dão proteção, mas somente a sabedoria preserva a vida.

13 Aceite o modo como Deus faz as coisas; afinal, quem é capaz de endireitar o que ele fez torto?

14 Desfrute a prosperidade enquanto pode, mas, quando chegarem os tempos difíceis, reconheça que ambos vêm de Deus; lembre-se de que nada é garantido nesta vida.

Seguindo esta reflexão gostaria de compartilhar com vocês 4 Verdades sobre o Sentido da Vida no binômio da alegria/tristeza.

1) A alegria e a tristeza se alternam

O autor de Eclesiastes trabalha essa dimensão no trecho que diz: “tudo neste mundo tem o seu tempo; cada coisa tem a sua ocasião (…) Há tempo de ficar triste e tempo de se alegrar; tempo de chorar e tempo de dançar” (3.1,4).

Ao colocar alegria e tristeza em tempos diferentes, cada qual em seu próprio momento, ele mostra a impossibilidade de alguém sentir-se triste e alegre ao mesmo tempo. 

Quando passamos por tristezas, ainda que haja algum motivo para a alegria, parece que as tristezas e frustrações nos sufocam ou nos cegam para ver as coisas boas. E mais: quando há motivo de alegria e, em seguida, surge algo que nos entristece, parece que a tristeza tem mais força que a alegria; e prevalece nos nossos sentimentos. Já perceberam isso?

Rir e chorar, alegrar e entristecer fazem parte da experiência humana. São sentimentos que revelam nossa humanidade e até Jesus se identificou conosco tanto na alegria quanto na tristeza.

2) A alegria e a tristeza são, circunstanciais e temporárias 

O texto também mostra que, por mais que fujamos da tristeza, há um tempo para ela na nossa vida. Isso é inevitável! 

Muitas vezes não escolhemos ficar tristes, se pudéssemos escolher gostaríamos de sempre ficar alegres. Mas esses, são sentimentos que afloram em decorrência das circunstâncias da nossa vida. Circunstâncias essas quase todas fora de nosso controle.

Outro aspecto a ser considerado é que, se há tempo para tristeza e para alegria em nossas vidas, isso significa também que ambas têm seu tempo de vigência, elas tem uma duração específica. No dizer do salmista. “o choro pode durar a noite inteira, mas de manhã vem o canto de alegria.” (SI 30.5, BLH). A tristeza pode durar um tempo, mas ela não é eterna.

No entanto, há uma diferença na percepção humana da alegria e da tristeza. A impressão que se tem é de que a alegria é sempre passageira e a tristeza duradoura. 

Isso ocorre porque a alegria tem a estranha capacidade de nos anestesiar (5.20). A alegria tem o poder de nos embriagar. Por outro lado, a tristeza tem a capacidade de nos paralisar, ela aguça nossos sentidos, colocar-nos em alerta, fazer-nos pensar em sua causa e em todas as consequências que pode nos trazer.

3) A alegria e a tristeza são benéficas

O texto de Eclesiastes afirma uma coisa que, a princípio parece estranha: “1Uma boa reputação vale mais que perfume caro, e o dia da morte é melhor que o do nascimento. 2 É melhor ir a funerais que ir a festas; afinal, todos morrem, e é bom que os vivos se lembrem disso. 3 A tristeza é melhor que o riso, pois aperfeiçoa o coração.” (7.1-3).

No entender do autor, a tristeza traz mais benefícios que a alegria, porque ela tem a capacidade de nos fazer refletir, analisar e direcionar nossa conduta. A alegria, por sua vez, dá-nos a sensação de euforia e nos cega para a realidade. Por incrível que pareça, a alegria pode ser perigosa, porque nos dá uma sensação de confiança que pode ser falsa. 

Claro que não que devemos buscar viver em constante tristeza e rejeitar a alegria, mas o convite que essa reflexão nos dá é que devemos olhar com mais simpatia para os momentos tristes pelos quais passamos, procurando refletir sobre a vida e quais lições estamos aprendendo com aquela situação.

O autor aqui nos faz refletir que a vida deve ser pensada e vivida na dimensão da morte. Temos a tendência de olhar nossa vida apenas no agora, mas é o fim de uma pessoa que vai mostrar se ela foi feliz e bem sucedida em vida. Muitas vezes parece aquelas histórias de criança que tem sempre um drama mas no fim “eles vivem felizes para sempre”

O sofrimento deixa de ser sofrimento no instante em que encontra um sentido.

Na terra sempre haverá tristeza e sofrimento. O que muda é nossa atitude diante da situação.

As circunstâncias, os acidentes, podem nos tirar tudo, menos a nossa Atitude. A nossa liberdade de reagir a cada situação que nos é apresentada. 

Não podemos evitar o sofrimento, mas podemos escolher como vamos lidar com o sofrimento e como podemos encontrar um sentido nele para o nosso crescimento pessoal e espiritual.

4) A alegria e a tristeza tem o seu próprio tempo

Aprendemos em Eclesiastes que devemos viver o momento presente e as oportunidades que nos dá tanto na alegria como na tristeza. No capítulo 3.1-13, o pregador diz : “entendi que nesta vida tudo o que a pessoa pode fazer é procurar ser feliz e viver o melhor que puder. Todos nós de comer e beber e aproveitar bem aquilo que ganhamos com o nosso trabalho. Isso é um presente de Deus.”

Há, em Eclesiastes, uma ênfase ao prazer de viver. Perceba que a tristeza vem de encontro a nós, mas o autor diz que nós temos que procurar ser felizes e viver o melhor que puder. É uma busca diária.

A vida deve ser vivida buscando-se todas as oportunidades para ser alegre e bem vivida. Ele dimensiona isso no campo da comida e da bebida; reconhece essas coisas como presentes de Deus. Essas eram, no tempo do autor, as maiores alegrias que uma pessoa poderia ter. Tais alegrias devem ser buscadas e aproveitadas intensamente, com gratidão a Deus, porque dele provêm.

Esta é também uma chave para as alegrias buscadas: a certeza de que elas provêm de Deus. 

Da mesma forma ocorre com a tristeza. Não se deve agarrar às tristezas de ontem para sofrer hoje; e, muito menos, sofrer por antecipação. Jesus Cristo disse: “basta ao dia o seu próprio mal.” (Mt 6.34). A tristeza que se deve viver no tempo que lhe cabe já é suficientemente grande; não se deve adicionar mais peso à vida.

Conclusão

Para Salomão, aparentemente nada faz sentido, porque, mais uma vez, ele repete seu típico refrão: “vaidade de vaidade, diz o Pregador, tudo é vaidade.” (12.8). Mas, essa impressão não corresponde à realidade. Para o Eclesiastes, a vida não é o absurdo que aparenta ser. Na leitura dos doze capítulos, alguém poderia pensar que o autor desse livro vê a vida como uma brincadeira de mau gosto, e que nada vale a pena. Só que não é exatamente assim que o texto analisa a vida. 

Mas a chave para o entendimento do livro está nos últimos versículos do seu último capítulo: “Em conclusão, e depois de ouvido tudo: teme a Deus e guarda os mandamentos, porque esse é o dever de cada homem. Pois Deus julgará todas as coisas, mesmo as ocultas, boas e más.” (Ec 12.13, 14, A Bíblia de Jerusalém).

Já em Eclesiastes, em meio a Alegrias e Tristezas, Salomão resume toda a Lei e o Sentido da Vida na seguinte frase: “teme a Deus e guarda os mandamentos”, que é exatamente o que Jesus nos disse em Mt 22.37-40: “Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de toda a sua mente’. 38Este é o primeiro e o maior mandamento. 39O segundo é igualmente importante: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. 40Toda a lei e todas as exigências dos profetas se baseiam nesses dois mandamentos”.

Aqui estão, de fato, o significado e o propósito da vida. Pois o temor do Senhor é o princípio de toda a Sabedoria.

Muitas pessoas o temor ao Senhor como uma imposição autoritária. O temor do Senhor, que se manifesta em amor e obediência à vontade revelada de Deus. Esse amor nos conduz à vida bem vivida, que desfruta das alegrias e das tristezas da vida. 

A lembrança dessa verdade é indispensável para que a vida seja vivida com verdadeira sabedoria, transformando-se numa experiência plena de sentido a luz da eternidade.

Tem uma história que diz que um velho Mestre pediu a um jovem que andava triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d’água e bebesse.

-“Qual é o gosto?” – perguntou o Mestre.

-“Ruim” – disse o aprendiz triste.

O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e fosse com ele até o lago.

Os dois caminharam em silêncio e quando chegaram o mestre pediu para o jovem jogar o sal no lago e disse: 

-“Beba um pouco dessa água”. Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:

-“Qual é o gosto?”

-“Bom!” disse o rapaz.

-“Você sente o gosto do sal?” perguntou o Mestre.

-“Não” disse o jovem.

O Mestre então, sentou ao lado do jovem, pegou em suas mãos e disse: -“A marca da dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor dessa dor depende de onde nós a colocamos. Quando você sentir dor, a única coisa que você pode fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. 

Pense nisso: A dor é a mesma, mas você pode deixar de sentir a dor apenas no copo do nosso coração para derramar a sua dor na imensidão do Lago da fé.”

A alegria e a tristeza fazem parte da vida. O que nos diferencia do reino animal é a capacidade de refletir e aprender sobre nossos sentimentos. Temos a tendência de exaltar a alegria e desprezar a tristeza. O Eclesiastes inverte essa lógica, chamando a atenção para os perigos da alegria e para os benefícios da tristeza. Ao fazê-lo, redimensiona a percepção desses sentimentos e nos dá a chance de tirar lições para vivermos de maneira sábia. Coloca, ainda, o fato de que, neste mundo, a alegria e a tristeza têm seu tempo determinado, porém, na eternidade, a alegria será plena e eterna (Ap 21.1-4).

Dica: Assista o Filme “Divertidamente”. Veja como a tristeza pode atrapalhar a nossa vida mas como ela também tem grande importância na vida para construção das memórias e dos valores.

Rafael Mantuan

Sobre o Autor

Rafael Mantuan
Rafael Mantuan

Planejador Financeiro Pessoal e Coach. Fundador do Instituto Sucesso e Gerente Geral

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